LEGO Batman: O Filme | Crítica

Uma paródia que funciona por conhecer bem sua fonte

A figura sombria do Batman e todo seu lado trágico sempre foram tratados em diversas mídias como fatores que definem o personagem. Toda essa abordagem séria acaba sendo alvo de diversas paródias sobre o sempre depressivo Homem-Morcego. O trabalho que LEGO Batman faz é trazer esse tom irônico como um novo cerne para o personagem, sem ignorar o histórico que formou o Cavaleiro das Trevas.

No derivado de Uma Aventura LEGO (2014) retornamos ao mundo das pecinhas, agora visto sobre o olhar do herói. A sempre em apuros Gotham vê no Batman (Will Arnett) seu grande salvador, assim como o mesmo se rende ao orgulho e aceita com deslumbre esse papel. Mas o que acontece quando o vigilante precisa lidar com o bilionário que vive por trás da máscara? São questões básicas do personagem que a história toca, mesmo levando essas profundas reflexões para o lado cômico. Percebendo que seu oponente se perdeu em arrogância, o clássico vilão Coringa (Zach Galifianakis) arma algo que nem o Homem-Morcego consegue prever. A melhor maneira de fazer o herói abandonar a capa e capuz é aposentando todos os criminosos da cidade.

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Junto do problema (ou seria solução?) surge a figura de duas pessoas na vida do vigilante noturno, a nova comissária de Gotham Barbara Gordon (Rosario Dawson) que apoia a ideia de que a força policial da cidade deve trabalhar em conjunto com o Batman e seu filho acidentalmente adotado Dick Grayson/Robin (Michael Cera). Os dois personagens apresentam o mesmo dilema para o herói sobre trabalhar em equipe, algo inexistente para alguém que se criou sob a sombra da perca dos pais e da solidão que veio em consequência disso. São temas que formam o Batman que todos conhecemos, mas apresentados com uma linguagem pop e divertida.

O humor, traço principal que a franquia LEGO traz, é o grande mote do filme, funcionando de forma pontual, mesmo com algumas piadas sendo infantis demais, afinal esse é o público da animação. Porém, assim como o primeiro LEGO, o roteiro conta com diversas sacadas para o público mais velho, principalmente com um cardápio repleto de referências ao universo DC. A galeria de vilões do Batman está toda inclusa no filme, até mesmo personagens que os grandes fãs desconhecem. O número de participações é mais restrito que o filme anterior, com mais enfoque nas marcas que estão embaixo da asa da Warner como Harry Potter e Senhor dos Anéis. Um detalhe divertido é terem trazido Billy Dee Williams (o Lando de Star Wars) para dar voz ao vilão Duas-Caras, um referência ao fato do mesmo ter interpretado sua contraparte pré-vilanesca Harvey Dent no primeiro Batman de Tim Burton.

LEGO Batman O Filme_1

O histórico do Homem-Morcego também é representado no longa, relembrando todas as fases do personagem no cinema. Mesmo com foco no humor, LEGO Batman possui boas cenas de ação, com destaque para sequência de abertura que mostra o bom trabalho da produção em tornar um ambiente feito de peças crível.

Ao tirar sarro do herói sombrio da DC, LEGO Batman: O Filme consegue não só questionar tudo que forma o vigilante de Gotham como entrega umas das melhores aventuras do personagem no cinema recente. E pensar que um filme feito para vender Lego ia se tornar uma grande franquia.

Avaliação: ÓTIMO

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